ATÉ QUEM DETESTA ENERGIA SOLAR ADORA A ESTRATÉGIA DA SUNEDISON

 SunEdison AquisiçãoO foco da SunEdison Inc. no desenvolvimento de centrais de energia renovável em todo o mundo, e não nos painéis que fazem com que elas funcionem, conquistou um dos maiores críticos do setor.

Gordon Johnson, analista da Wolfe Research em Nova York, vem advertindo há anos os investidores de que as empresas de energia solar enfrentam um desafio pela sobrevivência porque as margens para os painéis fotovoltaicos que transformam a energia do sol continuam caindo.

O foco da SunEdison em usinas de energia oferece margens superiores e fortes perspectivas de crescimento, com um modelo de negócios que está começando a render pagamentos regulares de dividendos. O resultado: quando Johnson começou a cobrir a SunEdison no mês passado, ele deu à empresa com sede em Maryland Heights, Missouri, um rating de desempenho superior.

 “Os altistas acertaram em um dos casos”, disse Johnson, que espera que as ações subam do valor atual, cerca de US$ 30, para US$ 44.

No que vai deste ano, a SunEdison avançou 60 por cento, a maior proporção entre as empresas americanas no índice Bloomberg Intelligence Global Large Solar. As ações da empresa têm 15 recomendações de analistas para comprar, duas para conservar e uma para vender, com uma média de ratings de 4,5 sobre 5, a mais alta para um membro do índice de 21 companhias com sede nos EUA.

A empresa tem uma história complexa. Fundada em 2003, foi adquirida por US$ 200 milhões em 2009 por uma fornecedora de matérias­-primas para semicondutores que antes pertenceu à Monsanto Co. A compradora, MEMC Electronic Materials, adotou o nome SunEdison em 2013, quando começou a trocar a fabricação de wafers de silício pelos chips de computador e pelas células fotovoltaicas.

Desde então, a SunEdison tem se expandido rapidamente, com centrais de energia em operação ou em desenvolvimento em todos os continentes, exceto a Antártida. A companhia tinha 4,9 gigawatts de capacidade em funcionamento no fim do primeiro trimestre e 7,5 gigawatts em desenvolvimento em 1 de junho.

 Na terça­-feira, a companhia ganhou outros 2 gigawatts com transações para adquirir desenvolvedores na América Central e na Ásia.

Oportunidade “enorme”

“Estamos nos preparando para um crescimento rápido a fim de aproveitar uma oportunidade enorme no mercado”, disse o CEO Ahmad Chatila, em uma teleconferência no dia 7 de maio.

 Chatila não quis ser entrevistado porque a companhia está se preparando para a abertura de capital da TerraForm Global Inc., uma unidade separada da empresa com foco nos mercados emergentes, que poderia arrecadar até US$ 800 milhões

E essa é a segunda parte da história de sucesso da SunEdison.

A TerraForm Global foi formada para ter a posse de usinas, opera­-las e empregar a receita obtida com a venda de eletricidade para adquirir mais usinas, da SunEdison e de outros desenvolvedores. Este modelo está se popularizando entre os desenvolvedores de energia limpa. A estrutura, conhecida como “yieldco”, ajuda a reduzir os custos de fazer empréstimos para as companhias controladoras e oferece dividendos consistentes aos investidores.

 Perspectiva

A perspectiva favorável de Johnson para a SunEdison não se deve a que ele veja uma melhoria nas variáveis fundamentais do setor solar, disse ele, em uma entrevista por telefone. Ela se deve em grande parte aos yieldcos.

A SunEdison é sua única recomendação no setor de energia limpa, e ele aposta contra todas as outras ações de energia solar negociadas nos EUA. “Sou extremamente baixista em relação ao lado da fabricação”.

Johnson é pessimista em relação aos produtores de painéis há anos. Em novembro de 2010, ele projetou que o setor enfrentaria “um apocalipse” por causa do crescente excesso de oferta. Menos de um ano depois, a Solyndra LLC entrou em falência e marcou o início de dois anos de depressão no setor solar mundial.

“Hoje, a SunEdison é vista como a jogada preeminente no setor solar internacional”, disse Johnson. A combinação de módulos solares baratos da China com o financiamento e a destreza de desenvolvimento da companhia vão tornar mais difícil que concorrentes como a First Solar Inc. e a SunPower Corp. a alcancem. “Não acho que elas consigam igualar a SunEdison no mercado solar mundial”.

Fonte: InfoMoney

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